UM ANO DE GLÓRIAS, EM QUE TUDO DEU CERTO NUMA PROVA DE TANTOS DETALHES

Fabiana Murer - Salto com Vara

UM ANO DE GLÓRIAS, EM QUE TUDO DEU CERTO NUMA PROVA DE TANTOS DETALHES

9 de maio de 2016

daegu1Em 2010 vieram todas as compensações pelo que Fabiana havia tido de superar. O ano será lembrado de modo muito especial. Começou com o título de campeã no Mundial Indoor de Doha (CAT), no início do ano. Em 4 de junho, bateu o recorde sul-americano com um salto de 4,85 m, no Campeonato Ibero-Americano de San Fernando (ESP). E, depois, conquistou o título da Diamond League, campeonato de elite da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF). A foto de Fabiana estampou o calendário internacional da IAAF, que a colocou entre as melhores do ano. Fechou a temporada sendo coroada a Melhor Atleta do Ano do Brasil com o Prêmio Brasil Olímpico, honraria concedida pelo público por meio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

A busca pelo aperfeiçoamento – no material, na técnica e na tática da prova – para ganhar na performance e, claro, ir mais alto, sempre foi uma constante na carreira de Fabiana, orientada pelo detalhista Elson Miranda e o experiente Vitaly Petrov. Em 2010, Fabiana optou por uma mudança radical transformando sua corrida que tradicionalmente era de 16 passadas em 18. Com a nova estratégia, traçada por Elson e Petrov, Fabiana aumentou a distância da corrida de 32 para 36 metros, algo que a maioria das atletas do circuito internacional não ousava fazer. “Com duas passadas a mais, posso aumentar a velocidade e ir mais alto. Tenho de ser veloz e, ao mesmo tempo, resistente.” A estratégia funcionou, para a temporada e, depois, para o Mundial.

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Em 2011, Vitaly deixou de treinar a russa Yelena Isinbayeva e pôde assumir o papel de consultor do salto com vara, contratado pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). Mas Fabiana e Elson já vinham aprendendo com ele desde 2001, nas muitas clínicas que, anualmente, realizavam no Brasil e em Fórmia, na Itália, onde o ucraniano atua, num centro de treinamento do salto com vara. O aprendizado tornou-se correção de detalhes da técnica de Fabiana, que já é muito precisa.

A brasileira não teve um ano recheado de bons resultados como em 2010, mas fez história em 2011, ao tornar-se a primeira atleta do País a conquistar uma medalha de ouro em um Mundial ao ar livre, em Daegu, na Coreia do Sul, em agosto, com a marca de 4,85 m. Até então, o Brasil somava cinco medalhas de prata e cinco de bronze.

Numa noite inspirada, Fabiana saltou muito bem até os 4,85 m do ouro mundial. Errou um único salto, na primeira tentativa na altura de 4,80 m, e colocou pressão nas rivais. Fabiana enfrentou e venceu quatro campeãs mundiais e duas recordistas mundiais. Voltou ao Brasil com o inédito ouro e consagrada por transformar o salto com vara em uma prova conhecida dos brasileiros.

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Todas as opções feitas no passado, pelo atletismo depois da ginástica. As superações que fortaleceram a mente – lesões, sumiço da vara em plena Olímpiada, montagem pouco favoráveis do colchão em Mundial… Toda a dor de treinos puxados, a rotina espartana do treina, come, descansa, viaja e compete, entremeada por atende patrocinadores, imprensa e fãs, com tempo escasso para o lazer, a família e os amigos…. Tudo, mas tudo mesmo foi compensado. Fabiana comemorou. Primeiro com a volta olímpica no estádio. Depois, comendo sanduíche, de madrugada, no retorno à vila dos atletas de Daegu, com os técnicos do Brasil e os integrantes da comissão médica – os atletas já estavam dormindo (ganhou o cartaz que anunciava o duelo entre ela e Isinbaeva, arrancado de um poste por um amigo). Comemorou ainda dois dias mais tarde, quando voltou ao estádio para a cerimônia de premiação e, finalmente, colocou a mão na sua medalha de ouro. A força e também a doçura de Fabiana foram reconhecidas pelo mundo e pelos coreanos que a chamaram simplesmente de Cinderela.

A prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, com 4,70 m, em outubro, fechou uma temporada longa e cansativa para Fabiana. Mas 2011 ainda reservou uma boa surpresa para a saltadora, eleita, pela segunda vez consecutiva, a Melhor Atleta do Ano. Fabiana voltou a ser reconhecida como o Prêmio Brasil Olímpico.

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