No último ano como atleta, o salto mais alto da carreira

Fabiana Murer - Salto com Vara

No último ano como atleta, o salto mais alto da carreira

19 de dezembro de 2016

_LSP5363

Fabiana Murer estava decidida: 2016 seria o último ano de sua carreira. A saltadora tinha como meta disputar os Jogos Olímpicos do Rio e, após a competição em casa, fazer seus últimos torneios na Europa. Ao fim da temporada, daria o definitivo adeus às pistas, após quase duas décadas de dedicação integral ao atletismo e ao salto com vara. Os planos não saíram exatamente como o imaginado, mas Fabiana despediu-se da vida de atleta com o salto mais alto de sua carreira.

Foi diante da torcida brasileira, em São Bernardo do Campo, na principal competição de clubes do país – o Troféu Brasil de Atletismo -, que Fabiana Murer bateu o recorde sul-americano do salto com vara mais uma vez. Aos 35 anos, a atleta alcançou a marca de 4,87 m.

Fabiana fez uma competição perfeita: ultrapassou o sarrafo em 4,50 m, 4,65 m e 4,75 m na primeira tentativa. Alcançado o objetivo inicial – o de fazer sua melhor marca pessoal no ano -, pediu para que a altura fosse a 4,87 m, um centímetro a mais que a então liderança mundial do ano, obtida pela grega Ekaterini Stefanidi em junho. Após duas boas tentativas, Fabiana levantou a torcida ao superar a marca na terceira chance.

Após a comemoração, Fabiana elevou o sarrafo a 5 metros pela primeira vez em uma competição. Na primeira tentativa, conseguiu completar o salto, mas derrubou o sarrafo. Na segunda tentativa, não conseguiu finalizar. “Eu senti um pouquinho o cansaço do fim da competição e também toda a emoção. Mas eu queria tentar os 5 metros, nunca tinha tentado em competição”, disse. “Mas fiquei muito contente de ter conseguido bater novamente o recorde. Eu estava ‘empacada’ no 4,85 m (como recorde pessoal e recorde sul-americano), que tinha feito três vezes (San Fernando, em 2010; Daegu, em 2011; e Pequim, em 2015), tinha que ‘desempacar’! E acabou saindo na competição que eu mais gosto de disputar”, disse a campeã.

A marca de 4,87 m também garantiu à Fabiana a segunda colocação no ranking mundial da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Dessa forma, a brasileira chegou à 11ª temporada consecutiva entre as top 10 do salto com vara no mundo, um feito notável.

O recorde mundial foi uma injeção de ânimo para Fabiana, que tinha como principal objetivo da temporada a disputa dos Jogos Olímpicos do Rio, no Engenhão, em agosto. Foi com o intuito de se preparar para sua terceira Olimpíada que a saltadora viajou para a Europa para participar de etapas da Diamond League. Em Mônaco, a brasileira conquistou a medalha de bronze, com a marca de 4,65 m. Mas, logo após a competição no Principado, Fabiana começou a sentir fortes dores no pescoço. Ainda viajou a Londres, para tentar disputar a etapa britânica do circuito, mas durante o aquecimento decidiu não arriscar.

RIO DE JANEIRO - 16/08/2016 - ATLETISMO -  ESTÁDIO OLÍMPICO - Fabiana Murer, nos salto com vara, nos Jogos Rio 2016. Foto: Washington Alves/Exemplus/COB

No retorno ao Brasil, veio o diagnóstico de uma hérnia cervical, a um mês da Olimpíada. Apesar das dores, Fabiana cumpriu toda a programação de treinos, aliada à fisioterapia, para chegar no Rio o mais perto possível dos 100%. “Fiz todo o treino que estava previsto. Também fiz muita fisioterapia, um trabalho muito importante para a função do ombro e do braço.” Na prova de qualificação, Fabiana não conseguiu ter força suficiente no braço para executar os saltos com perfeição e não superou o sarrafo a 4,55 m nas três tentativas a que tinha direito.

“Foi um mês muito difícil. Trabalhei todos os dias nas deficiências que encontrava, mas meu braço esquerdo continuou sem muita força, falhando na hora do salto. Porque a hérnia comprime o nervo, e eu preciso muito do braço para saltar. Vim tentar saltar, trabalhei esse mês acreditando que era possível”, afirmou a saltadora, muito emocionada, logo após a prova, no Engenhão.  “Estava correndo muito bem, a entrada foi muito boa, mas na segunda fase do salto, a fase de voo, eu não consegui manter a vara envergada para pegar o tempo do salto.” Ainda devido à hérnia, a saltadora decidiu não disputar as competições que estavam agendadas na Europa para o período pós-olímpico.

“Sei que eu fiz o máximo que pude, não só hoje, mas em toda a minha carreira. Sempre batalhei, consegui mostrar ao mundo que existe salto com vara no Brasil. Conquistei várias medalhas em Mundiais, mas infelizmente não ganhei uma medalha olímpica. Faz parte, o esporte é assim. Infelizmente uma lesão tira a condição do atleta de poder saltar. É preciso estar 100% para conseguir o melhor resultado, e hoje eu devo estar em 60% da minha condição. Termino a minha carreira com um bom salto, com a melhor marca da minha vida, e isso já me deixa muito contente.”

Dez dias depois da qualificação do salto com vara na Olimpíada, Fabiana Murer anunciou oficialmente o fim de sua carreira como atleta, em um evento realizado na sede da BM&FBOVESPA, em 25 de agosto. Mas a ex-atleta não se afastou do Clube em que construiu toda a sua carreira: foi convidada pelo Diretor Presidente da Bolsa, Edemir Pinto, a assumir o cargo de manager institucional, em que será responsável, entre outras funções, pelo relacionamento do Clube com federações e confederações nacionais e internacionais.

“O esporte mudou a minha vida. Graças ao apoio que tive, pude me desenvolver e também desenvolver o salto com vara no Brasil. Passei a sair do país para competir, e fui aprendendo ao longo dos anos, junto com o Elson (Miranda, técnico), a ver como era o mundo. Quero levar toda essa experiência para o futuro e por isso aceitei o convite”, disse Fabiana. “Aqui começa uma nova etapa na minha vida, em que vou trabalhar com a mesma dedicação”.

Patrocinadores

© Copyright 2016 Fabiana Murer