Em 2015, Fabiana conquista mais uma medalha em Mundiais

Fabiana Murer - Salto com Vara

Em 2015, Fabiana conquista mais uma medalha em Mundiais

19 de dezembro de 2016

FM_Pequim_4_Arquivo pessoal

Fabiana Murer enfrentou uma longa temporada em 2015. No ano anterior aos Jogos Olímpicos Rio 2016, a atleta colheu excelentes resultados nas provas indoor e outdoor, e alcançou seus dois principais objetivos: subir ao pódio nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e no Mundial de Pequim, em agosto.

A saltadora encerrou o ano como a segunda melhor atleta do ranking mundial do salto com vara – pela 10ª temporada consecutiva, foi top 10 do mundo. Bateu o recorde sul-americano indoor (4,83 m) e igualou o recorde sul-americano ao ar livre (4,85 m). Conquistou sua quarta medalha em Mundiais, com a prata em Pequim, e a terceira em Jogos Pan-Americanos (também com a prata).

Após o bicampeonato da Diamond League em 2014, ficou em 2015 na segunda posição, mesmo sem ter colocado o principal circuito de provas da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) como prioridade e, por questões de calendário, não ter disputado duas etapas (Xangai e Londres).

Recorde sul-americano indoor

245045_472954_img_2280__960x813_Na primeira parte da temporada, Fabiana disputou provas em ginásio na Europa. A saltadora viajou para a cidade de Malmo, na Suécia, sua base de treinamentos no exterior, em 18 de janeiro, e participou de cinco competições. O resultado mais expressivo veio no Meeting Top Perche, na cidade francesa de Nevers, em 7 de fevereiro. Fabiana venceu a competição com 4,83 m e melhorou seu recorde sul-americano indoor em um centímetro – a marca anterior era de 20 de fevereiro de 2010, obtida em Birmingham.

Do fim de fevereiro ao início de maio, Fabiana permaneceu no Brasil, treinando no Centro de Treinamento do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, em São Caetano do Sul. A estreia nas disputas ao ar livre seria em casa, na única competição que participou no Brasil antes de voltar para a Europa.

Fabiana saltou no XXXIV Troféu Brasil de Atletismo, em São Bernardo do Campo. Venceu a prova em 17 de maio com 4,65 m, que lhe garantiu o índice para os Jogos Olímpicos Rio 2016 – o período de obtenção de marcas começou justamente na competição nacional. A saltadora ficou satisfeita com a estreia. “Foi uma das minhas melhores marcas de primeira competição da temporada”. Um prenúncio de que a temporada, que ainda lhe reservaria mais dez provas, seria de grandes resultados.

Logo após o Troféu Brasil, Fabiana retornou para Malmo, onde iniciou a temporada de competições no exterior. Seria uma “volta ao mundo”, já que competiria em três continentes (Europa, América e Ásia). Foram dez competições, incluindo o Pan de Toronto e o Mundial de Pequim. Na temporada ao ar livre, Fabiana saltou na casa dos 4,80 m em três oportunidades (na Diamond League de Nova York, no Pan e no Mundial), marcando presença entre as melhores do mundo por mais um ano.

Vice-campeonato do mundo e mais um recorde

Com direito a recorde sul-americano, Fabiana Murer brilhou no Estádio Nacional de Pequim, o Ninho do Pássaro, em 26 de agosto de 2015. A brasileira fez uma prova espetacular no 15º Campeonato Mundial de Atletismo e ganhou a medalha de prata, fazendo a marca de 4,85 m pela terceira vez na carreira.

Fabiana, única campeã mundial do atletismo do Brasil, atingiu assim mais um feito inédito para o país: pela primeira vez uma mulher conquistou duas medalhas em Mundiais ao ar livre. A façanha já havia sido alcançada pela própria Fabiana em Mundiais Indoor – ela foi campeã em Doha/2010 e bronze em Valencia/2008. “Eu estou muito, mas muito feliz por ter conquistado mais uma medalha em um Campeonato Mundial. Foi uma competição muito dura, de altíssimo nível e por isso estou muito contente com a minha medalha”, disse Fabiana.

A saltadora competiu com grande tranquilidade em Pequim. Na qualificação, precisou de apenas um salto, a 4,55 m, para garantir seu lugar na final. Na grande decisão, começou a competir com o sarrafo a 4,50 m. Passou de primeira, assim como nas tentativas seguintes a 4,60 m e 4,70 m. Quando a prova chegou a 4,80 m, sete das 14 atletas que disputavam a final ainda estavam na prova. Fabiana precisou de dois saltos para superar a altura, que era a sua melhor marca do ano até então.

Após os 4,80 m, a brasileira já havia garantido uma medalha, pois restavam apenas ela, a grega Nikoleta Kyriakopoulou e a cubana Yarisley Silva na disputa. Fabiana passou de primeira em 4,85 m e assumiu a liderança da prova – a marca já havia sido alcançada pela saltadora em 2010 e 2011. Fabiana ficou muito perto de superar pela primeira vez os 4,90 m, mas não conseguiu validar a marca. Yarisley Silva conseguiu passar pelo sarrafo apenas na última chance e ficou com o ouro. Nikoleta ficou com o bronze (4,80 m).

Fabiana mobilizou a torcida do Ninho do Pássaro e teve até o francês Renaud Lavillenie como apoiador. Ele ficou ao lado do técnico de Fabiana, Elson Miranda, nas arquibancadas do estádio, batendo palmas e incentivando a brasileira.

“Eu sabia que teria que saltar acima de 4,80 m para subir ao pódio. Depois de ter garantido a medalha, minha preocupação era melhorar a minha classificação. Estou contente por ter ganho a prata, saltei o meu recorde pessoal. Claro, queria ter superado os 4,90 m. Fiz saltos muito bons, embora não tenha sido suficiente hoje, mas estou muito feliz”, afirmou. “Queria voltar para a China e para esse estádio (em que foi disputada a Olimpíada de Pequim/2008 e Fabiana teve uma vara extraviada na final), porque eu sabia que era um ótimo lugar para se saltar”, completou a brasileira.

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