ANOS DE PÔR À PROVA A CAPACIDADE DE SUPERAÇÃO

Fabiana Murer - Salto com Vara

ANOS DE PÔR À PROVA A CAPACIDADE DE SUPERAÇÃO

30 de setembro de 2014

Em 2013, em busca de índice para o Mundial de Moscou, Fabiana Murer decidiu disputar as temporadas indoor e ao ar livre. A marca, 4,60 m, veio logo na primeira das seis competições programadas para ginásio coberto, em janeiro, o Pole Vault Summit, festival de salto com vara aberto a atletas de elite e a amadores, organizado pela UCS Spirit, fabricante de varas e um de seus patrocinadores, em Reno (EUA). Em fevereiro, já na Europa, foi prata no Russian Winter, em Moscou, confirmando o índice para o Mundial, com 4,65 m.

Na terceira competição da temporada indoor, o Pole Vault Stars, em Donetsk, na Ucrânia, Fabiana se machucou. Com uma lesão no tendão de Aquiles do pé esquerdo, teve de abandonar a prova e as disputas em ginásio coberto e voltou ao Brasil. Recuperada, começou a se concentrar na preparação para competir ao ar livre.

Na Diamond League, em maio, sob frio intenso e chuva em parte da prova, saltou 4,53 m na etapa de Nova York, em maio. Não disputava o Troféu Brasil havia dois anos. Em junho, Fabiana levou o ouro e seu oitavo título brasileiro com 4,73 m. Voltou para a Europa. Não marcou na etapa de Oslo da Diamond League, mas saltou 4,61 m dois dias depois, no Folksan GP, em Gotemburgo (SUE), e ficou com a prata. Conquistou o ouro em uma prova de rua em Hof, na Alemanha (4,71 m), e depois a prata (4,63 m) em Birmingham (ING), pela Diamond League. Antes do Mundial, ainda competiu na etapa de Londres (ING) – foi bronze, com 4,63 m.

No Mundial de Moscou, Fabiana ficou fora do pódio. Terminou na quinta colocação, com 4,65 m. “Fiz tudo o que pude, mas, infelizmente, não foi suficiente para a medalha. Não passei por muito pouco.” Fabiana saltou bem em 4,55 m e 4,65 m, mas não ultrapassou os 4,75 m nas três chances que teve. “No primeiro salto a vara estava muito fraca. No segundo, troquei de vara, pedi para trazerem o poste um pouco mais para a frente, mas também não consegui passar. No terceiro salto, tive um pequeno desequilíbrio. Se o sarrafo estivesse uns 5 cm mais perto de mim, eu teria passado. Foi por muito pouco.”

Fabiana ainda disputou as etapas de Estocolmo (bronze, com 4,59 m) e de Zurique da Diamond League (prata, com 4,72 m), sua última competição na temporada internacional – terminou o circuito da IAAF na terceira colocação, com 10 pontos. Entre as duas etapas, saltou 4,75 m, sua melhor marca na temporada, no Volksbank Stabhochsprung Meeting Beckum, na Alemanha, em 25 de agosto.

Dificuldades na Olimpíada

Fabiana Murer na prova do Salto com vara durante as competições de Atletismos nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 em 04 de Agosto de 2012 em Londres, Inglaterra. Foto: Alaor Filho/AGIF/COB

Em 2012, Fabiana Murer optou por não disputar a temporada indoor e se concentrar em uma boa preparação para Londres. Os primeiros meses do ano foram dedicados aos treinos, com etapas no Centro de Alto Rendimento do Jamor, em Lisboa (POR), uma clínica com Vitaly Petrov, consultor da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), no Brasil, e mais treinos no Centro de Treinamento do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, em São Caetano do Sul (SP).

O GP São Paulo, em maio, no Ibirapuera, foi a primeira competição de 2012. Saltou 4,50 m para ficar com a medalha de prata e saiu decepcionada. Dias depois, repetiu a marca e a cor da medalha no GP Brasil, no Engenhão, no Rio, mas ficou um pouco mais contente. “Minha corrida foi boa e os saltos mais consistentes do que em São Paulo. Mas ainda temos de fazer ajustes técnicos na prova.”

Fabiana voltou para o exterior para os ajustes, com mais um período de competições e treinos antes da Olimpíada. Em junho, pela Diamond League, conquistou o ouro em Eugene (4,63 m) e em Nova York (com 4,77 m, sua melhor marca no ano). Na etapa de Mônaco da Diamond League, na última competição na preparação para Londres, foi quinta (4,54 m).

Estava confiante, mas na qualificação foi prejudicada pelo forte vento contra em sua terceira e última tentativa de ultrapassar o sarrafo a 4,55 m – com 4,50 m, terminou na 14ª colocação, fora do grupo de 12 atletas que passaram para a disputa por medalhas. “Tentei duas vezes, mas não conseguia me deslocar, o vento me segurava. Já sabia que não conseguiria abaixar a vara para a decolagem, não adiantava continuar. Se eu continuasse, teria passado reto pelo colchão, como outras atletas fizeram, e o salto também não sairia.”

Em Londres, o vento atrapalhou todas as competidoras – prova disso é a marca relativamente baixa que deu a medalha de ouro à norte-americana Jennifer Suhr, 4,75 m –, mas prejudicou especialmente as atletas mais leves, como Fabiana (57 kg) e a russa Svetlana Feofanova (49 kg), medalhista de bronze no Mundial de Daegu, que chegou a quebrar o pé na qualificação, ao ser desequilibrada pelo vento e cair sobre o encaixe da vara. Shur, a campeã, pesava 65 kg.

O período foi difícil depois de Londres. Fabiana começou a se reerguer após a etapa de Estocolmo da Diamond League, em agosto. “Ainda estava um pouco abalada, mas saltei, fui bronze e a partir daí comecei a ficar mais contente de estar competindo, de fazer o que eu gosto. Salto é o que mais gosto de fazer, é a minha vida. Aos poucos, fui ficando feliz novamente por estar na competição, por saltar.”

Ainda disputou as etapas da Diamond League de Birmingham (bronze, com 4,42 m) e Bruxelas (prata, com 4,65 m), para ser vice-campeã do circuito da IAAF. Encerrou o ano em novembro, com o ouro para São Caetano nos Jogos Abertos do Interior, em Bauru.

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