2014, ANO DO BICAMPEONATO DA DIAMOND LEAGUE

Fabiana Murer - Salto com Vara

2014, ANO DO BICAMPEONATO DA DIAMOND LEAGUE

30 de setembro de 2014

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Fabiana Murer teve um 2014 incrível, que culminou na conquista da melhor marca do mundo no ano e do bicampeonato da Diamond League – uma lesão no joelho esquerdo, em janeiro, foi resolvida e não atrapalhou. Ao contrário de 2013, quando um problema no calcâneo esquerdo obrigou a saltadora a interromper o circuito indoor, em 2014 Fabiana pôde disputar as temporadas em ginásio fechado e ao ar livre, como havia planejado, e encerrou o ano com as três melhores marcas do mundo: 4,80 m, 4,76 m e 4,72 m.

“Às vezes, em outros anos, sentia a cabeça cansada de saltar. Este ano, não. Estava me divertindo mais treinando, bem tranquila, bem concentrada na minha técnica, tentando melhorar sem grandes mudanças na parte técnica. Foi um 2014 foi bem importante para me dar confiança, mostrar que posso saltar alto.”

O Mundial Indoor de Sopot, na Polônia, em março, foi o primeiro compromisso importante do ano. Fabiana, que já tinha índice (4,71 m) para a competição com os 4,73 m do ouro no Troféu Brasil de 2013, se preparou competindo no Russian Winter, em Moscou (4,61 m), no XL Galan, em Estocolmo (4,42 m), no Pole Vault Stars, em Donetsk (4,62 m) e em Bad Oeynhausen, na Alemanha, numa pista montada dentro de um shopping – Fabiana saltou 4,63 m, sua melhor marca até então na temporada, para ficar com a medalha de ouro.

Chegou a Sopot preparada para saltar bem no Mundial – havia sido campeã mundial indoor em Doha/2010, com 4,80 m. Em uma prova sem fase de qualificação, com 12 atletas disputando diretamente a final, sabia que teria de saltar alto. E conseguiu, melhorando novamente sua marca, com 4,70 m. O resultado, porém, não foi suficiente para garantir um lugar no pódio. “Fazia tempo que eu não saltava 4,70 m e fiquei feliz por isso. Foi a mesma marca das três primeiras colocadas, mas eu tive mais erros e acabei não conseguindo uma medalha.” O ouro ficou com a cubana Yarisley Silva, a prata com a russa Anzhelika Sidorova e o bronze com a checa Jirina Svobodová, todas com 4,70 m.

De continente em continente

Encerrada a temporada indoor, Fabiana voltou ao Brasil, apenas uma escala a caminho dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, no Chile – ficou com a medalha de ouro (4,40 m).  Era a hora de descansar um pouco para entrar com força total na preparação para a temporada ao ar livre.

Fabiana foi para o exterior em 2 de junho. Na programação, várias etapas da Diamond League e competições menores pela Europa, intercaladas com períodos de treino na Itália, Suécia e Alemanha. Estreou na Diamond League, no Golden Gala Pietro Mennea, no Estádio Olímpico de Roma (ITA), em 5 de junho. Ainda sem ritmo de competição, foi a sexta colocada, com 4,50 m.

Da Europa para os Estados Unidos e mais uma etapa da Diamond League, em Nova York. Fabiana fez uma prova impecável. Passou, na primeira tentativa, 4,50 m, 4,60 m, 4,70 m e 4,80 m para conquistar o ouro e a melhor marca do mundo no ano, muito perto de seu recorde sul-americano e melhor resultado da carreira, os 4,85 m do Ibero-Americano de San Fernando, em 2010, mesma marca do Mundial de Daegu, em 2011.

“Estou contente demais. Fazia algum tempo que eu não saltava 4,80 m. Na verdade, eu não saltava 4,80 m desde o Mundial de Daegu. Foi uma prova ótima para mim, venci e assumi a liderança do ranking mundial numa disputa forte. Foi bom também porque saltei bem alto nas tentativas dos 4,90 m.”

De volta à Europa, Fabiana disputou uma prova de rua, em Hof, na Alemanha. Mais uma vitória, com a marca de 4,60 m. Cinco dias depois, outro ouro, agora em Sollentuna, na Suécia, com 4,65m.

Julho foi outro mês recheado de competições e bons resultados. Na etapa de Glasgow (ESC) da Diamond League, Fabiana saltou 4,65 m para ficar com a medalha de ouro e assumir a liderança do circuito de elite da IAAF, com 8 pontos – a cubana Yarisley Silva, com a mesma pontuação, aparecia em segundo lugar. Na etapa seguinte, em Mônaco, saltou 4,76 m, a segunda melhor marca do mundo no ano, e tornou-se líder isolada da Diamond League, com 12 pontos.

Uma competição diferente trouxe mais um ouro para a saltadora. Em Londres, com 4,65 m, Fabiana venceu o charmoso Sainsbury’s Anniversary Games, realizado em uma pista provisória, montada no House Guards Parade, em frente ao Palácio de Buckingham, a casa da rainha Elisabeth, da Grã-Bretanha.

Uma prova “perfeita” no bicampeonato da Diamond League

Em agosto, Fabiana chegou pressionada à decisão do título da Diamond League, no dia 28, em Zurique (SUI). Depois de alcançar 4,42 m no North Great City Games, em Gateshead, no início do mês, havia zerado a prova na etapa de Birmingham. Para ser campeã da Diamond League, teria de passar todas as alturas na primeira tentativa e ainda voar mais alto que as adversárias.

Fabiana fez mais uma prova impecável. Saltou, de primeira, 4,47 m, 4,57 m, 4,67 m e 4,72 m. Já com o bicampeonato assegurado, ainda tentou melhorar sua marca, com o sarrafo a 4,82 m. Fez boas tentativas, mas não superou a altura. “Estou super feliz por ter ganhado a Diamond League mais uma vez. A prova foi dura, mas eu estava muito concentrada e fiz bons saltos. Quase passei 4,82 m, faltou muito pouco.”

O técnico Elson Miranda classificou como uma conquista muito difícil a da Diamond League de 2014. “A Fabiana chegou a Zurique precisando vencer e ganhou de forma muito limpa, passando sempre de primeira. Poderia até mesmo ter saltado 4,82 m porque fez boas tentativas. Mas aquela competição pedia vitória.”

A Copa Continental, em Marrakesh, no Marrocos, foi a última competição do ano para Fabiana, que não marcou na prova. “Na Copa Continental, não consegui fazer os ajustes necessários para saltar bem. Tem de acertar a corrida, ver onde vai estar o último pé, onde vai colocar a barra… E a pista de lá não era muito boa, o encaixe da vara não estava bem colocado. Eu estava bem, me sentindo bem, mas no salto com vara é assim, tudo tem de estar muito bem ajustado.”

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